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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

PROTESTO!

Enquanto Fábio Ferreira, Márcio Azevedo e Elkeson forem titulares do time do Botafogo e este for dirigido por Oswaldo de Oliveira, como forma de protesto, não postarei mais nenhuma matéria neste blog!

sábado, 29 de setembro de 2012

AS DECISÕES: CAMPEONATO CARIOCA DE 1997


Dirigido por Joel Santana, o Botafogo conquistou o conturbado Campeonato Carioca de 1997. Conturbado, por causa de uma série de recursos e liminares, principalmente por parte do Vasco da Gama, que contava com o apoio de Eduardo Vianna, presidente da FERJ. Tendo sempre à frente o polêmico dirigente Eurico Miranda, o Vasco da Gama conseguiu paralisar o campeonato, em virtude de haver cedido quatro jogadores à seleção brasileira. Botafogo, Flamengo e Fluminense não concordaram. A bagunça foi tanta que o Flamengo se recusou a entrar em campo para jogar contra o Americano e o Vasco da Gama e perdeu seus jogos por WO.
Durante a competição, o Botafogo completou 13 vitórias em 13 jogos, superando o recorde que era do Vasco da Gama, estabelecido em 1968, com 10 vitórias em 10 jogos. Além disso, manteve uma invencibilidade de 22 jogos em 105 dias e, ainda, venceu dois dos três turnos do campeonato.
Outros dois fatos dignos de registro ocorreram nesta competição. O primeiro deles na noite de 26 de março, quando o Botafogo venceu o Flamengo com um time de reservas. O rubro-negro estava com sua formação máxima: Romário, Sávio e companhia, mas o resultado foi 1 x 0 para o Botafogo, com gol marcado por Renato. Um resultado difícil de ser esquecido, em função da rivalidade entre as duas torcidas.
O segundo se deu na primeira partida da final contra o Vasco da Gama, no dia 5 de julho, que o time cruzmaltino venceu por 1 x 0. Num determinado momento do jogo, o atacante Edmundo parou a bola na linha de fundo diante do zagueiro Gonçalves e, em tom de deboche e falta de respeito profissional, rebolou na frente do companheiro. O fato causou revolta e desejo de vingança entre os alvinegros.
E a vingança não tardou. Três dias depois, na segunda partida da final, irritados com a atitude de Edmundo, os jogadores alvinegros se desdobraram na partida. Venceram com um gol de Dimba e conquistaram o título. Ao apito final, todos os jogadores alvinegros correram em direção à torcida cruzmaltina e rebolaram. O Botafogo era o campeão estadual e estava vingado.
Com a manchete “Botafogo rebola por último”, o Jornal do Brasil destaca em suas linhas:
“Quem rebola por último, rebola melhor. Quer dizer, quem rebola por último, tem mais chances de fazer a festa. E foi exatamente isso que o Botafogo fez, ao derrotar o Vasco da Gama por 1 x 0 (gol de Dimba, aos 33 minutos do segundo tempo) e garantir o título de campeão estadual de 1997, quebrando um jejum que vinha desde 1990. A conquista, no fim das contas, serve de prêmio à equipe que foi mais regular durante toda a competição, tendo vencido os dois primeiros turnos e permanecido por mais de 20 jogos invicta.
No fim da partida, nada mais justo do que uma forra contra a irônica dança feita por Edmundo na primeira partida da final. A reboladinha coletiva lavou a alma dos botafoguenses e calou de vez os vascaínos que viram seu time ficar muito perto da vitória e acabaram tristes.
No primeiro tempo, enquanto o time de Joel Santana se mostrava totalmente intranquilo, apelando para faltas até desleais, Edmundo, Juninho e Ramón comandavam a equipe que parecia saber o que desejava.
Uma grande defesa de Wagner e o que era impressão passou a ser quase certeza: “o gol é questão de tempo”, pensaram os vascaínos.
Outra grande defesa de Wagner e a quase certeza passou a ser temor, afinal, quando um grande goleiro começa a fechar o gol... E foi isso que aconteceu.
O Vasco da Gama perdeu o tempo, o impacto e os primeiros 45 minutos se arrastaram até o apito final do bom árbitro Sidrack Marinho dos Santos.
No segundo tempo, o Botafogo decidiu adotar uma postura mais ofensiva, ou melhor, mais de jogo. O que era só-deixar-o-tempo-passar foi trocado por um-pouco-mais-de-disposição.
Só que o Vasco da Gama continuava mais ligado na partida – embora continuasse sem marcar.
Aos 30 minutos, os dois times pareciam estar satisfeitos com o empate, que levaria a final ao terceiro jogo. Pareciam. Uma jogada monumental de Dimba, até aquele momento certamente um dos piores homens em campo, acabou resultado no gol do título. Uma bomba indefensável estabeleceu no placar a superioridade mínima que, se era pouco verdadeira para o que foi exibido nesse jogo, retratava com alguma fidelidade todo o bom desempenho do Botafogo ao longo da competição.
Os doze últimos minutos de jogo – e do Estadual – foram, como era de se esperar, de sofrimento. O Vasco da Gama precisava de pelo menos um gol para adiar a decisão. O Botafogo contava segundos para ficar com seu título. Talvez até inconscientemente os jogadores do Vasco da Gama diminuíram seu ritmo. Um reconhecimento ao melhor desempenho do rival em toda a competição.
Chutões, bola para qualquer lado, valia tudo para o tempo passar. Encerrada a partida, os jogadores do Botafogo correram em direção à torcida do Vasco da Gama. De costas para a galera adversária, acompanhados por torcedores, rebolaram. Como Edmundo fizera no sábado. Ontem, porém, com o título nas mãos...
Assim jogaram as equipes:
BOTAFOGO – Wagner, Wilson Goiano, Jorge Luís, Gonçalves e Jefferson; Marcelinho Paulista (França), Pingo, Djair e Aílton (Marcelo Alves); Bentinho e Dimba (Robson). Técnico: Joel Santana.
VASCO DA GAMA: Caetano, Pimentel, Moisés, Alex e Felipe; Luisinho, Fabrício, Juninho (Luís Cláudio) e Ramon (Brener); Edmundo e Pedrinho. Técnico: Antônio Lopes.
Como dissemos, o árbitro foi Sidrack Marinho dos Santos. O público foi de 16.854 pagantes, que proporcionaram a renda de R$ 248.370,00.

Fontes: Jornal do Brasil e Botafogo de Futebol e Regatas Histórias, Conquistas e Glórias no Futebol, de Antônio Carlos Napoleão.

sábado, 22 de setembro de 2012

O BOTAFOGO DE TODOS OS TEMPOS


Na opinião de Pedro Varanda, o maior pesquisador da história do Botafogo de Futebol e Regatas que nós conhecemos, este seria o BOTAFOGO DE TODOS OS TEMPOS:

1. Manga – 442 jogos e 394 gols sofridos.
4. Marinho Chagas – 183 jogos e 40 gols.
2. Mauro Galvão – 115 jogos e 1 gol.
3. Leônidas – 246 jogos e 1 gol.
6. Nilton Santos – 721 jogos e 11 gols.
5. Gérson – 247 jogos e 96 gols.
8. Didi – 313 jogos e 116 gols.
7. Garrincha – 612 jogos e 243 gols.
9. Amarildo – 231 jogos e 134 gols.
10. Jairzinho – 412 jogos e 186 gols.
11. Quarentinha – 444 jogos e 308 gols.
Técnico: Mário Jorge Lobo Zagallo, 370 jogos.

A PRIMEIRA CRISE


Em função da imaturidade e da juventude dos meninos do Botafogo Football Club, não demoraram a aparecer as primeiras brigas. Em 1904, surgiu uma crise difícil de ser contornada entre Flávio Ramos e o capitão do time, Victor Faria. Por causa desse desentendimento, houve a primeira cisão. Saíram vários sócios, entre eles o Presidente Alfredo Guedes Mello e o vice Ithamar Tavares, que fundaram outro clube, o Internacional, que teve muito pouco tempo de vida.
Entre 1904 e 1905 ocorreram diversas mudanças.
No ano de 1905, o Botafogo passou a contar com uma nova diretoria, composta por Waldemar Pereira da Cunha – Presidente, Ismael Maia, Alfredo Chaves, Octávio Werneck, Álvaro Werneck e Júlio Werneck.
Neste mesmo período, aconteceu uma crise política no Clube de Regatas Botafogo. Essa crise levaria para o Botafogo F. C. diversos sócios e diretores. Entre eles estava Joaquim Antônio de Souza Ribeiro, considerado o primeiro grande presidente da história do Botafogo Football Club.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

PERSONALIDADES ALVINEGRAS: FLÁVIO RAMOS

 
 
Flávio da Silva Ramos nasceu em 14 de Abril de 1889, no Rio de Janeiro (RJ).
Era filho de José Júlio da Silva Ramos, professor, filólogo e poeta, membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
Flávio Ramos foi o idealizador e um dos fundadores do Botafogo Football Club. Tinha, então, 15 anos e era estudante do Colégio Alfredo Gomes.
Além disso, ele foi jogador do clube, sendo que, no primeiro jogo do Botafogo F. C., em 2 de outubro de 1904, atuou como goleiro e, nos jogos seguintes, como atacante. Fez 53 gols em 60 jogos, no período de 1904 a 1913, sendo seu primeiro gol o primeiro da história do Botafogo, em 21 de maio de 1905, na vitória de 1 x 0 sobre o Petropolitano. Foi campeão carioca em 1907 e 1910
e artilheiro do campeonato estadual nos anos de 1907 (6 gols) e 1909 (18 gols). Ainda praticou remo, atletismo e patinação.
Flávio Ramos também foi o primeiro presidente do Botafogo e sócio-fundador número 1 do Botafogo Futebol Clube.
Em 1911, colou grau em Direito.
Flávio Ramos foi um centroavante com grande finalização. Na maior goleada do futebol brasileiro, em 30 de maio de 1909, quando o Botafogo venceu o Mangueira por 24 x 0, Flávio Ramos assinalou sete gols. No mesmo ano, em 11 de julho, marcou seis gols na goleada sobre o Haddock Lobo por 13 x 0. Antes desses dois jogos, em 26 de julho de 1908, marcou os cinco gols num amistoso com vitória do Botafogo sobre o Bangu por 5 x 2.
Além disso, chegou a ser treinador da equipe em 1928.
Desportista impecável, mesmo depois de abandonar o futebol, Flávio manteve as características pessoais que o notabilizaram.
Flávio da Silva Ramos faleceu a 14 de setembro de 1967, aos 78 anos, no Rio de Janeiro.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

SERÁ LANÇADA AMANHÃ A PEDRA FUNDAMENTAL DO NOVO CT DO BOTAFOGO

 

O Botafogo iniciará nesta quinta-feira, 20 de setembro de 2012, às 11 horas, em Marechal Hermes, a construção do Centro de Treinamento que no futuro acolherá as categorias de base. O projeto do clube, que assinou acordo de cessão do espaço com o governo do Estado do Rio de Janeiro por 20 anos, é atender aos jovens atletas alvinegros e a 300 crianças e adolescentes em projetos sociais.
A expectativa do Botafogo é de que o local fique pronto antes das Olimpíadas do Rio, em 2016, e possa receber delegações estrangeiras.
A área de 100 mil metros quadrados contará com dois campos oficiais, dois outros campos de treinamento, uma piscina, uma quadra poliesportiva, auditório, sala de musculação, refeitório, alojamento para 72 atletas (o atual abriga apenas 23 jogadores), entre outros novos setores. A inovação maior fica por conta da escola que será do Botafogo e colocada dentro do centro de treinamento. A intenção do clube é trabalhar as jovens promessas também fora de campo.
O projeto de modernização do local tem 100 mil metros quadrados e está pronto desde abril de 2011. Entretanto, passou por mudanças depois de visitas de dirigentes alvinegros a Centros de Treinamento de ponta no Brasil e na Europa. Toda a estrutura física atual deixará de existir para dar lugar a novas instalações.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

JOGOS INESQUECÍVEIS: BOTAFOGO 4 x 3 RIVER PLATE


Depois de atuar bisonhamente nos primeiros vinte minutos, o Botafogo deu um passeio no River Plate, da Argentina.
Com dois gols de Jairzinho e dois de Gérson, o Botafogo venceu pelo placar de 4 x 3, em pleno Estádio do River Plate, em Buenos Aires, na partida de fundo realizada no dia 14 de julho de 1964, válida pelo Torneio “Confraternização Íbero-Americana”.
A rodada atingiu o montante de Cr$ 8.805.920,00.
Nos vinte minutos iniciais do jogo, o River Plate foi superior e traduziu essa superioridade em um gol aos 16 minutos, marcado por Oscar Más. Esse gol acordou o Botafogo, que começou a reagir aos 22 minutos, quando Jairzinho empatou o jogo, aproveitando-se de uma bola atrasada por Matosas.
Aos 35 minutos, Jairzinho marcou o mais bonito gol da tarde, desempatando o jogo. Garrincha fez o diabo na defesa do River Plate, foi à linha de fundo e cruzou para Jairzinho que vinha correndo pelo meio da área e chutou rente à trave.
O Botafogo passou a ser dono das ações e, na volta do segundo tempo, logo aos 3 minutos de jogo, Gérson cobrou uma falta no estilo “folha seca” e marcou o terceiro gol.
Aos 35 minutos, aconteceu um escanteio. Garrincha cobrou, Jairzinho escorou de cabeça e Gérson entrou completando o lance para aas redes do River Plate.
Quando o Botafogo acomodou-se, passando a bola de pé em pé, ensaiando o “olé”, o River Plate diminuiu o prejuízo, através de Onega, aos 40, e Cubilla, aos 44.
Sob a arbitragem de Miguel Angel Comesaña, da Argentina, as equipes atuaram assim:
Manga, Joel, Paulistinha, Nilton Santos e Rildo (Airton); Élton e Gérson; Garrincha, Sicupira, Jairzinho e Zagalo. Técnico: Zoulo Rabelo.
Gatti, Sáinz, Ramos Delgado, Cap e Bonczuk; Matosas (Rojas) e Fernández (Sarnari); Cubilla, Artime, Onega e Más.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

SÚMULAS: O BOTAFOGO NO CAMPEONATO CARIOCA DE 1970


BOTAFOGO 0 x 0 FLUMINENSE
Rodada dupla com Bonsucesso x Portuguesa
Data: 05/07/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Armando Marques
Público e renda: 60.539 / Cr$ 262.120,00
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Roberto, Jairzinho e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
FLUMINENSE: Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denilson e Didi; Cafuringa (Wilton), Flávio, Jair (Mickey) e Lula.

BOTAFOGO 5 x 2 PORTUGUESA
Rodada dupla com Flamengo x São Cristóvão
Data: 09/07/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Antônio Viug
Renda: Cr$ 21.399,00
Gols: Jairzinho (4) e Careca / Miguel (2)
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Moisés, Leônidas (Pojito) e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Nilson Dias (Careca), Jairzinho e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
PORTUGUESA: Otávio, Bruno, Valtinho, Zeca e Beto; Chiquinho e Mário Breves; Gilbert (Zoé), Jorge, Miguel e Marcos (Binha).

BOTAFOGO 2 x 0 SÃO CRISTÓVÃO  
Data: 12/07/1970
Local: Figueira de Melo, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Aldo Pereira
Público e renda: 4.417 / Cr$ 23.375,00
Gols: Paulo César Lima e Jairzinho  
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Nilson Dias (Careca), Jairzinho e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
SÃO CRISTÓVÃO: Franz, Triel, Celso, Dias e Ari; Mafra e Jedir; Robertinho, Jurandir, Airton (Sá) e Adilson.

BOTAFOGO 2 x 0 OLARIA  
Data: 15/07/1970
Local: General Severiano, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Carlos Costa  
Público e renda: 6.542 / Cr$ 37.732,50
Gols:  Paulo César Lima e Nei Conceição
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Roberto (Nilson Dias), Jairzinho e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
OLARIA: Pedro Paulo, Mura, Miguel, Válter e Altivo; Fernando e Valinhos; Nado, Humberto (Pirulito), Acelino (Pinho) e Torino.

BOTAFOGO 3 x 0 CAMPO GRANDE
Rodada dupla com América x Portuguesa
Data: 18/07/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Antônio Viug
Renda: Cr$ 29.228,00
Gols: Carlos Roberto, Moreira e Paulo César Lima
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Roberto (Careca), Jairzinho (Nilson Dias) e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
CAMPO GRANDE: Sanches, Vicente, Biluca, Geneci e Jorge Correia; Adilson e Alves; Pingo, Nodir, Gil e Zezinho (Almir).

BOTAFOGO 2 x 3 AMÉRICA
Rodada dupla com Portuguesa x Campo Grande
Data: 22/07/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Armando Marques
Renda: Cr$ 45.449,50
Gols: Ferretti e Nilson Dias / Edu, Jeremias e Tarciso
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Ferretti, Careca e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
AMÉRICA: Helinho, Paulo César (Djair), Alex, Aldeci e Zé Carlos; Badeco e Renato; Tarciso, Jeremias (Tadeu), Edu e Sarão.

BOTAFOGO 0 x 0 VASCO DA GAMA
Rodada dupla com Madureira x Bonsucesso
Data: 26/07/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Aldo Pereira
Renda: Cr$ 214.369,00
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Ferretti (Careca), Nilson Dias e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
VASCO DA GAMA: Andrada, Fidélis, Renê, Moacir e Batista; Alcir e Buglê (Ademir); Luís Carlos, Jailson, Silva e Gilson Nunes (Valfrido).

BOTAFOGO 2 x 0 MADUREIRA
Data: 29/07/1970
Local: General Severiano, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Carlos Costa  
Renda: Cr$ 15.247,50
Gols: Ferretti e Nilson Dias  
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Moisés (Zé Carlos), Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Ferretti (Rogério), Nilson Dias e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
MADUREIRA: Paulo Roberto, Ivan, Leléu, Silva e Edmar; Pitico e Teles; Cléber (Balinha), Luís Carlos, Osni e Diogo.

BOTAFOGO 1 x 0 BONSUCESSO  
Data: 04/08/1970
Local: Teixeira de Castro, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Mário Vinhas
Público e renda: 2.776 / Cr$ 13.797,50
Gol: Paulo César Lima
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Zé Carlos, Leônidas (Careca) e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Ferretti, Nilson Dias (Rogério) e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
BONSUCESSO: Tião, Moisés, Orlando, Dutra e Romero; Zé Mário, Chiquinho e Gibira; Moreira, Ernâni e Jair Pereira.

BOTAFOGO 1 x 2 BANGU
Rodada dupla com Olaria x São Cristóvão
Data: 08/08/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Armando Marques
Público e renda: 6.767 / Cr$ 22.751,50
Gols: Roberto / Vanderlei e Amauri
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Zé Carlos, Nei Conceição e Waltencir; Carlos Roberto e Careca; Zequinha, Roberto (Nilson Dias), Ferretti (Rogério) e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
BANGU: Roni, Cabrita, Sidcley, Morais e Bauer; Vanderlei e Didinho (Nenê da Guia); Amauri, Almiro, Dé e Aladim. Técnico: Flávio Costa.

BOTAFOGO 1 x 1 FLAMENGO
Rodada dupla com Bonsucesso x São Cristóvão
Data: 15/08/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Arnaldo César Coelho
Renda: Cr$ 188.380,50
Gols: Nei Conceição / Adãozinho
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha (Rogério), Roberto, Jairzinho e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
FLAMENGO: Sidnei, Murilo, Washington, Reyes e Paulo Henrique; Liminha e Zanata; Ademir, Nei, Fio (Adãozinho) e Caldeira (Rodrigues Neto).

BOTAFOGO 2 x 1 FLUMINENSE
Rodada dupla com Madureira x América
Data: 23/08/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Armando Marques
Renda: Cr$ 277.779,00
Gols: Rogério e Jairzinho / Flávio
BOTAFOGO: Ubirajara Motta, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha (Rogério), Roberto, Jairzinho e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
FLUMINENSE: Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denilson e Didi; Cafuringa, Flávio, Samarone (Jair) e Lula.

BOTAFOGO 1 x 0 OLARIA
Rodada dupla com Fluminense x Madureira
Data: 29/08/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Aldo Pereira
Renda: Cr$ 53.623,50
Gol: Careca
BOTAFOGO: Ubirajara Motta, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha (Rogério), Roberto, Jairzinho e Careca. Técnico: Zagalo.
OLARIA: Pedro Paulo, Mura, Miguel, Altivo e Alfinete; Fernando (Gessê) e Danilo Menezes; William (Oto), Humberto, Acelino e Torino.

BOTAFOGO 3 x 1 CAMPO GRANDE  
Data: 02/09/1970
Local: São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Carlos Costa  
Renda: Cr$ 6.910,00
Gols: Jairzinho (2) e Roberto Clair
BOTAFOGO: Ubirajara Motta, Moreira, Moisés (Zé Carlos), Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto (Pojito) e Nei Conceição; Zequinha, Roberto, Jairzinho e Careca. Técnico: Zagalo.
CAMPO GRANDE Sanches (Zaire), Zezinho, Valdez, Geneci e Almir; Pingo e Ademir; Amoroso (Mica), Alves, Clair e Nodir.

BOTAFOGO 0 x 1 MADUREIRA
Rodada dupla com Fluminense x Olaria
Data: 09/09/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Aldo Pereira
Renda: Cr$ 39.707,00
Gol: Luís Carlos
BOTAFOGO: Ubirajara Motta, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Arlindo (Careca) e Nei Conceição; Zequinha, Roberto (Nilson Dias), Jairzinho e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
MADUREIRA Paulo Roberto, Ivan, Leléu, Silva e Edmar; Pitico e Teles; Cléber (Dorival), Luís Carlos, Osni e Diogo.

BOTAFOGO 3 x 0 FLAMENGO
Rodada dupla com Fluminense x Campo Grande
Data: 12/09/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Mário Vinhas
Renda: Cr$ 96.185,00
Gols: Paulo César Lima, Jairzinho e Reyes (contra)
BOTAFOGO: Ubirajara Motta, Moreira, Moisés (Zé Carlos), Leônidas e Waltencir; Nei Conceição e Careca; Zequinha, Nilson Dias, Jairzinho (Ferretti) e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
FLAMENGO Sidnei, Onça, Washington, Reyes e Rodrigues Neto; Liminha e Zanata; Ademir (Doval), Nei, Fio e Caldeira.

BOTAFOGO 1 x 2 VASCO DA GAMA
Rodada dupla com Campo Grande x Madureira
Data: 17/09/1970
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Aldo Pereira
Renda: Cr$ 245.512,00
Gols: Ferretti / Gilson Nunes e Moisés (contra)
BOTAFOGO: Ubirajara Motta, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir (Botinha); Nei Conceição e Careca; Zequinha, Nilson Dias (Ferretti), Jairzinho e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
VASCO DA GAMA Élcio, Fidélis, Renê, Moacir e Eberval; Alcir e Buglê; Luís Carlos (Ademir), Valfrido, Silva e Gilson Nunes.

BOTAFOGO 0 x 0 AMÉRICA  
Data: 19/09/1970
Local: Gávea, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Carlos Costa  
Público e renda: 903 / Cr$ 4.885,00
BOTAFOGO: Ubirajara Motta, Moreira, Moisés, Osmar e Botinha; Nei Conceição e Arlindo; Zequinha, Nilson Dias, Ferretti e Careca. Técnico: Zagalo.
AMÉRICA-Rio de Janeiro Jonas, Paulo César, Tião, Mareco e Zé Carlos; Badeco e Renato; Antônio Carlos, Tarciso, Salvador e Paulinho (Lima).

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

MENSÁRIO BOTAFOGUENSE: MARÇO DE 1951

01
Por via aérea regressou a delegação do Botafogo, que acabou de realizar uma excursão ao Chile. O regresso da equipe alvinegra foi antecipado em virtude do cancelamento do jogo que disputaria no Paraguai, como parte do pagamento do passe do extrema-direita Paraguaio.
Dos integrantes da delegação, apenas Paraguaio e Basso não regressaram. O primeiro está em Assunção, em gozo de férias, e o segundo encontra-se em Buenos Aires. Segundo informações colhidas, a volta do renomado zagueiro é problemática, pois Basso pensa em ingressar num clube de seu país.

31
Às primeiras horas da tarde seguiram para São Lourenço os jogadores do Botafogo que deverão repousar nessa estância hidromineral durante vinte dias.
A delegação viajou integrada por 22 jogadores, sendo o seu total de 25 pessoas.
Após o regresso, os botafoguenses farão intensos preparativos para a temporada do Arsenal, da Inglaterra, uma vez que contará a direção técnica com todos os jogadores recuperados fisicamente.
No Torneio Municipal, no qual estreará no dia 8 de abril, o alvinegro será representado por uma equipe de aspirantes que será preparada pelo técnico Newton Cardoso.

Fonte: Correio da Manhã.

domingo, 9 de setembro de 2012

MENSÁRIO BOTAFOGUENSE: FEVEREIRO DE 1951


01
Em virtude da não classificação do Botafogo para o Torneio Rio-São Paulo, o técnico Carvalho Leite propôs ao presidente Carlito Rocha que fossem concedidas férias aos jogadores.

Foi acertada a volta ao Botafogo de Gerson dos Santos, que se encontrava no futebol colombiano.

16
O Botafogo embarcou na madrugada deste dia para Santiago (Chile), em um dos quadrimotores da frota transandina da Panair do Brasil, convidado que foi para disputar um torneio quadrangular.
Na chefia da delegação seguiu o próprio presidente do clube, Carlos Martins da Rocha, Carlito. Os demais membros da delegação foram os seguintes: Técnico e Médico – Carvalho Leite; Roupeiro – Aloísio Araújo; Jogadores – Oswaldo Baliza, Gilson, Basso, Gerson dos Santos, Nilton Santos, Rubinho, Ávila, Juvenal, Carlito, Araty, Paraguaio, Geninho, Ariosto, Neca, Braguinha, Pirilo, Vinícius, Zezinho e Reynaldo.
Octávio não viajou, pois pediu dispensa, o que lhe foi recusado pela diretoria do Botafogo. Octávio, entretanto, não retrocedeu e negou-se a acompanhar a delegação, o que demonstra o seu firme propósito de abandonar mesmo o futebol.

18
Em sua estréia, no Estádio Nacional de Santiago, o Botafogo foi derrotado pelo Colo Colo, do Chile, por 3 x 1.
Foi árbitro da partida o inglês William Crawford e os dois quadros entraram em campo com a seguinte organização:
BOTAFOGO: Oswaldo Baliza, Basso e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Neca, Vinícius, Geninho e Zezinho. Técnico: Carvalho Leite.
COLO COLO: Escuti, Farias e Campos; Machuca, Vallejo e Muñoz; Arias, Cremaschi, Aranda, Candia e Castro.
Os locais conseguiram vantagem logo aos quatro minutos, quando Cremaschi recebeu um centro da direita e atirou imediatamente, de esquerda, num chute alto e enviesado.
O Botafogo mostrou-se inseguro nos primeiros momentos mas logo harmonizou suas linhas e passou a chegar constantemente até a meta do Colo Colo.
Aos 26 minutos, o mesmo Cremaschi avanço velozmente, burlou os dois zagueiros do Botafogo e passou a Arias que, de cabeça, marcou o segundo tento chileno.
Aos 32 minutos, Neca recebeu um centro de Paraguaio e emendou no ar, em violento tiro de meia altura, marcando o primeiro e único tento do Botafogo.
No segundo tempo, Zezinho e Juvenal excelentes oportunidades de marcar.
O terceiro gol do Colo Colo foi marcado aos 33 minutos, por Aranda, depois de fintar Ávila, e com um tiro baixo e cruzado.

No outro jogo válido pelo torneio, Nacional, de Montevidéu (Uruguai) e Santiago Morning, do Chile, empataram em 2 x 2.

20
O Botafogo remeteu à Federação Metropolitana de Futebol os contratos dos profissionais Neca, Gerson dos Santos, Pirilo e Geninho para o devido registro de renovação.

21
O Botafogo voltou a campo a fim de disputar a sua segunda partida pelo torneio de Santiago. Foi seu rival o Nacional, campeão do Uruguai, que saiu vencedor pelo placar de 3 x 1.
Ao terminar o primeiro tempo, vencia o Nacional 2 x 0.
Momentos antes de terminar o jogo, registrou-se um incidente entre Ávila e José Garcia, sendo ambos expulsos do gramado pelo árbitro inglês William Crawford.
O gol do Botafogo foi marcado por Zezinho, aos 39 minutos do segundo tempo. Marcaram os gols do Nacional Enrico (2) e José Garcia.
O Botafogo formou com Oswaldo Baliza, Gerson dos Santos e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Neca, Vinícius, Geninho e Zezinho. Já o Nacional alinhou Penalva, Santamaria e Durán; Roldán, Gómez e Varela; Ambrois, Júlio Pérez, Fizel, José Garcia e Enrico: Técnico: Enrique Fernández.

25
Em sua terceira apresentação no Torneio Quadrangular Internacional de Santiago, o Botafogo conseguiu sua primeira vitória: 3 x 0 sobre o Santiago Morning. Marcaram os gols Zezinho, duas vezes, e Vinícius.
Formou o Botafogo com Oswaldo Baliza, Gerson dos Santos e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Ariosto; Paraguaio, Neca, Vinícius, Geninho e Zezinho.
O Santiago Morning jogou com  Exposito, Brill e Wirth; Fernandez, Menezes e Zamora; De Luga, Hormazabal, Aguillera, Garcia e Díaz.
Após esse resultado, o Botafogo ficou em terceiro lugar no torneio.

28
Antes de retornar ao Brasil, o Botafogo disputou um amistoso em Viña del Mar, no Chile, contra o Everton local. Resultado final: empate em 2 x 2. Neca e Ariosto marcaram para o Botafogo e Meléndez e Guillermo Díaz assinalaram os gols chilenos.

sábado, 8 de setembro de 2012

MENSÁRIO BOTAFOGUENSE: JANEIRO DE 1951

Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, mensário é uma “publicação periódica mensal”.
Apesar do nome esquisito, estamos começando um novo projeto de divulgação da história do Botafogo, o Mensário Botafoguense.
A maior obra jamais publicada sobre o Botafogo é o livro de Alceu Mendes de Oliveira Castro (O Futebol no Botafogo 1904-1950) e é nele que buscamos inspiração.
Sem ter a pretensão de ser fonte de tantas informações a respeito do Botafogo, apenas na condição de torcedor do Botafogo e por achar que todo botafoguense tem a obrigação de tentar dar continuidade ao trabalho do Alceu, estaremos, a partir de hoje, tentando esmiuçar os fatos ocorridos na história do Botafogo, após a última data mencionada no livro do Alceu, ou seja, 21 de janeiro de 1951.
Mês a mês, em cada ano, sempre que possível com os dados completos dos jogos e com base nas matérias que os jornais publicaram, ao menos vamos fazer uma tentativa. Se vai dar certo ou não, só o tempo dirá.
Vamos começar pelos últimos dias do mês de janeiro de 1951. Aos poucos, sempre que for possível, relacionaremos outros fatos que julgarmos importante na história do Botafogo.

26
Eleito o novo Presidente da Federação Metropolitana de Futebol.
Apoiados por duas facções, apresentaram-se para o pleito os desportistas Vargas Netto e Alberto Borgerth. De um lado, encabeçado pelo Vasco da Gama, os clubes Bonsucesso, Madureira, São Cristóvão, Bangu, Olaria e Departamento Autônomo apoiavam o ex-presidente Vargas Netto e, de outro, o Botafogo, Canto do Rio, Flamengo, Fluminense e América estavam com Alberto Borgerth.
O valor dos votos dos clubes que interviram era o seguinte: Fluminense, 15; Vasco da Gama, 11; Flamengo, 10; Botafogo, 9; América, 7; Madureira, 6; Bangu, São Cristóvão e Bonsucesso, 5; Canto do Rio, 4; Olaria, 3 e Departamento Autônomo, 2. Total: 82 votos.
Por 46 a 36, Alberto Borgerth foi eleito novo Presidente da Federação Metropolitana de Futebol.

27
O Botafogo ficou em terceiro lugar na classificação da Taça Eficiência do Campeonato Carioca de 1950, com 187 pontos. O Vasco da Gama foi o primeiro, com 211, e o Bangu, o segundo, com 197.

O Botafogo não conseguiu classificação para o Torneio Rio-São Paulo ao ficar em quinto lugar entre os clubes que mais arrecadaram no Campeonato Carioca de 1950. Os quatro primeiros colocados, Vasco da Gama, Flamengo, América e Bangu ficaram à frente do Botafogo, que totalizou Cr$ 1.817.117,50 em seus jogos.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A PRIMEIRA VEZ A GENTE NÃO ESQUECE: A ESTRÉIA DE QUARENTINHA NO BOTAFOGO

O Botafogo estava precisando de uma vitória como a conseguida no dia 26 de junho de 1954, em jogo válido pelo Torneio Rio-São Paulo. Na verdade os alvinegros desde muito vinham merecendo, apesar de opiniões em contrário, sorte melhor.
Seja como for, o que se viu no jogo de sábado foi uma equipe bem armada, valente, composta dos mesmos jogadores que sempre pertenceram ao plantel com uma única exceção, que foi, justamente, Quarentinha, estreante.
E ninguém poderia dizer que foi esse jogador o responsável pelo triunfo, muito embora ele tenha atuado muito bem.
E para os que costumam ver no técnico o responsável por tudo que acontece de mal ao clube, principalmente nos dias de derrota, essa vitória deve ter sido bastante amarga, porque veio mostrar, antes de mais nada, que Gentil Cardoso tem cabeça e sabe usá-la, que tem visão e conhece o jogador sabendo se ele é bom ou não.
O encontro bem merecia um público mais numeroso, principalmente porque o Botafogo apresentou bom futebol, fazendo, mesmo, reviver o esquadrão dos melhores dias do campeonato passado, apesar da falta sensível que Nilton Santos ainda faz ao time.
O São Paulo bem que ensaiou alguns ataques à meta do Botafogo, mas encontrou em Gilson uma barreira intransponível, um arqueiro perfeitamente recuperado e disposto a manter o zero no marcador.
Aos 12 minutos, surgiu o primeiro gol do Botafogo. A jogada nasceu nos pés de Garrincha, que esticou para Carlyle, na entrada da grande área. Sem perda de tempo, Carlyle serviu a Dino da Costa, com um passe curto para o centro. Dino da Costa teve tempo suficiente para preparar o chute, escolher o canto e deixar o goleiro Poy sem ação.
A partir deste lance, o Botafogo se animou e tentou aumentar o placar, mas os jogadores do São Paulo se defendiam com bravura e contra-atacavam seguidamente numa reação que só não foi coroada de êxito porque o trio final alvinegro demonstrou um espírito de luta notável e foi crescendo à medida que o tempo se esgotava.
Aos 31 minutos, o Botafogo faz cerrada carga sobre a meta de Poy. Cabe a Carlyle atirar para o gol, com o goleiro caído e dois defensores esperavam o tiro de misericórdia. Carlyle quis colocar e atirou muito fraco contra as redes. De Sordi salva, Carlyle torna a chutar e Poy rebate. A bola acaba sobrando sobrando para Neyvaldo, na extrema, que completamente desmarcado cruzou para a área, indo a bola ao encontro de Dino da Costa que, com um tiro seco e forte assinala o segundo tento para os seus.
O Botafogo não dá trégua ao São Paulo. Aos quarenta minutos cabe ao estreante Quarentinha demonstrar, mais uma vez no decorrer da partida, que a sua aquisição foi das mais acertadas. Estava o Botafogo inteiro no ataque e Dino da Costa atira violentamente contra a trave. A bola volta para a risca que marca a grande área e Quarentinha a recupera e tenta driblar um marcador, mas ainda assim insiste e consegue recuperar a bola. Então, numa virada sensacional atira contra o arco inesperadamente. A bola choca-se com violência contra o travessão e bate na mão de Poy antes de voltar à pequena área, onde Carlyle, bem colocado, emenda de primeira marcando o terceiro tento para o Botafogo.
Pouco depois terminou a primeira etapa com o Botafogo apresentando um futebol muito superior.
Os primeiros vinte minutos do segundo tempo mostraram um São Paulo disposto a recuperar o terreno perdido. Mas a defesa botafoguense, com Gerson dos Santos jogando muito bem e orientando, com sua experiência, os mais novos, era um obstáculo difícil de ser ultrapassado.
Por intermédio de Canhoteiro, o São Paulo conseguiu escapar. Frente à frente com o arqueiro botafoguense, Canhoteiro atirou com violência. Gilson recebeu o chute em pleno rosto e caiu inconsciente. Alguns segundos depois, quando o perigo ainda era grande dentro da área, foi com surpresa que se viu Gilson, evidentemente movido pelo seu subconsciente, erguer-se do solo e correr para o gol. E ali permaneceu por mais alguns segundos, até que a bola foi chutada para fora e o perigo completamente afastado. Então, Gilson tornou a cair, novamente inconsciente.
Gilson tentou recuperar-se e permanecer no arco, mas era impossível continuar. Pouco depois, Pianowsky o substituiu e o jogo transcorreu sem outra anormalidade até que Dino da Costa e De Sordi, trocando pontapés, foram expulsos pelo árbitro Juan Carlos Armenthal.
Aos 32 minutos, Paulinho recebe na pequena área, completamente abandonado pelos marcadores. Entra entre dois zagueiros e atira, com força, para o gol, a dois passos da linha. A bola bate na trave superior, quica no chão onde o goleiro Poy estava caído, voltando ao travessão e acaba morrendo nas redes. Era o quarto gol alvinegro.
O quinto veio aos trinta e oito minutos, de pênalti, praticado por Nilo em Garrincha e cobrado por Quarentinha que teve, assim, nova ocasião de evidenciar qualidades. Só que desta vez mostrando-se dono de um autêntico canhão.
Pouco tempo depois Carlyle é expulso de campo ao dirigir palavras pouco amáveis a um adversário. Dois minutos depois surgiu o tento de honra do São Paulo, marcado por Dino, com um tiro cruzado, que Pianowsky não pôde evitar.
As equipes atuaram com as seguintes constituições:
BOTAFOGO: Gilson (Pianowsky), Gerson dos Santos e Bulau; Bob, Ruarinho e Juvenal; Garrincha, Dino da Costa, Carlyle, Quarentinha e Neyvaldo (Paulinho).
SÃO PAULO: Poy, Clélio e De Sordi; Pé de Valsa, Vítor e Turcão; Haroldo (Nilo), Marucci (Lanzoninho), Rodrigo (Aldo), Gino e Canhoteiro. Técnico: Jim Lopes.
A renda foi de Cr$ 65.017,60.

Fonte: Última Hora.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

RETRATO EM BRANCO E PRETO: AYMORÉ MOREIRA



Aymoré Moreira nasceu em Miracema (RJ) no dia 24 de abril de 1912.
Em 1929, foi para o Rio de Janeiro, lutar boxe, mas acabou jogando futebol. Em seus primeiros jogos teve uma rápida passagem pela ponta-direita e depois se firmou como goleiro.
Corajoso, arrojado, compensava sua baixa estatura (1,72 m) jogando fora da pequena área. Impressionada com o seu estilo entre as traves, a imprensa brasileira que acompanhava seus jogos logo o caracterizou de “goleiro elástico e voador”.
Disputou os Campeonatos Cariocas de 1931 e 1932, promovidos pela Associação Metropolitana de Esportes Athléticos – A.M.E.A., pelo Sport Club Brasil.
Em 1933, transferiu-se para o América, por onde disputou o campeonato promovido pela Liga Carioca de Football.
Depois, em 1934, foi para o Palestra Itália (atual Palmeiras), onde sagrou-se campeão paulista no mesmo ano.
No final do ano de 1935, voltou para o Rio de Janeiro, para jogar no Botafogo, fazendo sua estréia no gol do Botafogo em 1º de março de 1936, durante a excursão que o clube alvinegro fez ao México e aos Estados Unidos.
Em sua primeira atuação pelo campeonato carioca (12 de julho de 1936, com vitória de 2 x 1 sobre o Madureira), obteve o seguinte comentário de “O Jornal” sobre sua atuação: “Observando os dois esquadrões, deveremos assinalar a performance de Aymoré, sem dúvida a maior figura em campo e um dos mais positivos fatores do triunfo conquistado pelos alvinegros”.
Duas semanas depois, 26 de julho de 1936, na derrota de 1 x 0 para o Vasco da Gama, o Correio da Manhã disse: “O clube local teve em Aymoré e Nariz duas grandes figuras. O mignon keeper está em ótima forma. Brilhou.”.
Nos anos de 1938 e 1939, Aymoré foi bicampeão brasileiro jogando pela Seleção Carioca.
Fez três partidas oficiais (e uma não oficial) pela Seleção Brasileira, contra a Argentina. Na primeira, em 18 de fevereiro de 1940, empate de 2 x 2; na segunda, 25 de fevereiro de 1940, derrota de 3 x 0 e, na última vez, 5 de março de 1940, sofreu cinco dos seis gols com que a Argentina goleou o Brasil por 6 x 1.
Seu último jogo pelo Botafogo foi em 10 de outubro de 1943, coincidentemente com o mesmo Madureira (2 x 2) contra quem estreara. Nessa época, já perdera a posição de titular no gol do Botafogo para Ary. Também chegara ao Botafogo o goleiro Oswaldo Baliza. Aymoré, então, passou a ser o terceiro goleiro do Botafogo.
Encerrou a carreira de jogador em 1946.
Depois de terminada a carreira de jogador e já formado pela Escola de Educação Física do Rio de Janeiro, Aymoré Moreira optou por continuar ligado ao futebol, iniciando sua carreira de técnico no Olaria, do Rio de Janeiro (RJ) em 1948.
Foi campeão brasileiro como treinador da Seleção Paulista em 1952.
Em 1953, técnico da Portuguesa de Desportos, ganhou a “Fita Azul”.
Assumiu a Seleção Brasileira pela primeira vez em 1953. Sua estréia como técnico da seleção foi em 1º de março de 1953. Perdeu o Sul-Americano daquele ano em Lima (Peru), mas em relatório entregue à Confederação Brasileira de Desportos – CBD criticou a entidade, que não lhe dera opções para fazer a convocação. Também ficou sem o cargo, mas hoje sabe-se que a atitude ajudou a mudar a postura dos dirigentes, permitindo aos futuros treinadores a liberdade de escolher os comandados.  Tanto que voltou à Seleção Brasileira em 1961 para ganhar o bicampeonato mundial em 1962 e seguir na seleção, com intervalos, até 1968.
Em 1954 passou a ser treinador do Palmeiras. Perdeu a decisão do título paulista em homenagem ao IV Centenário de Fundação da Cidade de São Paulo, para o Corinthians.
Tornou-se tricampeão brasileiro pela Seleção Paulista em 1955 e 1957.
Voltou a ser o treinador do Taubaté, de São Paulo, em 1958.
Conquistou um inédito tetracampeonato brasileiro pela Seleção Paulista, em 1959.
Dirigindo a Seleção Brasileira conquistou as Taças Bernardo O´Higgins (contra o Chile), em 1961, Osvaldo Cruz (contra o Paraguai), no mesmo ano e em 1962, Copa Roca (contra a Argentina), em 1962, e a Taça Rio Branco (contra o Uruguai), em 1967.
Em 1962, como treinador do São Paulo, perdeu o título de campeão paulista para o Santos.
Dirigiu a 1965 - Portuguesa de Desportos em 1965, o São Paulo em 1966, sagrou-se campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, a Taça de Prata (mais tarde reconhecida pela CBF como campeonato brasileiro), com o Palmeiras, em 1967. Neste mesmo ano, dirigiu o Flamengo por seis meses (de 22 de outubro de 1967 a 9 de março de 1968), sem suceso. Foram 20 jogos, quando conquistou sete vitórias, três empates e dez derrotas.
A primeira vez como treinador do Corinthians aconteceu em 1968. Sua estréia foi em 11 de agosto, no amistoso em que o Corinthians empatou em 0 x 0 com o Ferroviário, de Araçatuba. Dirigiu o clube pela última vez em 24 de novembro, na derrota de 2 x 1 para o Fluminense, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa daquele ano. Se desentendeu com Osvaldo Brandão, que dividia com ele as atribuições do cargo na qualidade de supervisor.
Poucos dias depois, em 17 de dezembro de 1968, dirigiu a Seleção Brasileira pela última vez, no empate em 3 x 3 com a Iugoslávia. Foram 63 jogos à frente da Seleção Brasileira, obtendo 38 vitórias, 9 empates e 16 derrotas. Era o recordista de partidas pela Seleção Brasileira, título que só perdeu muito tempo depois para Zagalo e, em 2003, perdeu o segundo lugar para Carlos Alberto Parreira.
Retornou ao Corinthians em 26 de setembro de 1970, num jogo contra o Fluminense pela Taça de Prata daquele ano. Exerceu a função de olheiro para o técnico da Seleção Brasileira, Zagalo, na Copa do Mundo de 1970, conquistada pelo Brasil.
Em 1971 foi campeão do Torneio do Povo pelo Corinthians. Deixou o clube depois de um empate contra o Guarani (0 x 0), em 15 de abril, pelo Campeonato Paulista, sendo substituído por Francisco Sarno. Ao todo, foram 55 jogos na direção do Corinthians.
Dirigiu a Portuguesa de Desportos na maior goleada da história do clube, ocorrida em 2 de fevereiro de 1972: 12 x 1 contra o Ferroviário, de Oruro, Bolívia.
Foi para a Europa, mais precisamente em Portugal, quando foi treinador do Boavista, na temporada 1972/1973 e do F. C. Do Porto nos anos de 1974 e 1975. Também dirigiu o Panathinaikos, da Grécia.
Voltou ao Brasil em 1978, quando foi vice-campeão baiano, dirigindo o Vitória, naquele ano e no ano seguinte. Também dirigiu o rubro-negro baiano no Campeonato Brasileiro.
Passou a ser treinador do Galícia, em 1980, quando perdeu a final do campeonato baiano para o Vitória.
Em 1981, sagrou-se campeão estadual com o Bahia.
Dirigiu o Vitória nos dois primeiros turnos do Campeonato Baiano de 1984. Depois, passou para a Catuense e o clube venceu um dos turnos (o terceiro), ficando com o terceiro lugar na classificação final.
Aos 86 anos, no dia 26 de julho de 1998, morreu em Salvador (BA), vítima de falência múltipla de órgãos, insuficiência cardíaca, respiratória e renal. Vivia com uma aposentadoria de 600 reais por mês e completamente abandonado pelos amigos.

sábado, 1 de setembro de 2012

TRANSFORMANDO A DERROTA IMINENTE EM UMA GRANDE E ESPETACULAR VITÓRIA

Essa foi a manchete do jornal A Noite no dia seguinte ao jogo realizado no dia 28 de novembro de 1948, entre Botafogo e Flamengo, no estádio de General Severiano.
Eis alguns detalhes desse jogo.
“Vinte e dois cavalheiros são pagos para jogar futebol. Vários milhares de criaturas saem de casa e ficam espremidas pelas arquibancadas de um campo qualquer para ver aqueles vinte e dois cavalheiros jogarem. Vem um árbitro da Inglaterra, ganhando bom dinheiro, e é incumbido de apitar o jogo dando o exemplo de uma boa arbitragem para os seus colegas brasileiros.
A assistência emocionada espera o apito inicial do Mister. Emoção. Expectativa geral. O árbitro trila o apito e o jogo começa. No mais aceso da luta, no entanto, uma coisa extraordinária acontece. Largam um cachorro dentro do campo e o cachorro começa a correr para lá e para cá, atrapalhando os jogadores e causando muitos risos à torcida.
O apitador para o jogo e o cachorro é posto para fora do gramado depois de muita luta. Todos respiram aliviados, acreditando de que aquilo acabou. Mas é engano. Durante os noventa minutos, o Mister é obrigado a parar cinco vezes o jogo e milhares de assistentes, vinte e dois jogadores e o próprio árbitro ficam à espera que o cachorro seja novamente mandado para fora do gramado.
Isso senhores, embora pareça um absurdo, hoje em dia é usual nos gramados cariocas. Tomem nota: em pleno século XX, numa cidade que tem foros de civilizada, num país de 40 e tantos milhões de habitantes, para-se uma partida de futebol do campeonato mais importante da metrópole por causa de um cachorro...
Aconteceu no jogo Botafogo e Flamengo, já aconteceu antes e certamente acontecerá amanhã ou depois.
Nós não somos contra o Biriba, que ele entre em campo antes do jogo, que entre no intervalo e que entre no fim está certo. Mas permitir que o cachorrinho atrapalhe o jogo é que não achamos direito. Imagine se amanhã cada clube resolve adotar uma mascote. Um, um elefante, outro ainda um hipopótamo, e assim por diante. Os espetáculos de futebol virarão exibição de animais, farão concorrência ao próprio Jardim Zoológico.
Biriba acabou irritando todo mundo, até aos jogadores botafoguenses. E nós aqui, escrevendo essa crônica, ficamos a imaginar o que não dirá, na Inglaterra, Mister Dewine... Há de afirmar que às vezes não sabia se apitava uma partida de futebol ou se tomava parte num show sem grandes compromissos...
Agora vamos ao jogo.
O Flamengo, vencendo o Fluminense, aparecia como um quadro capaz de dar combate ao esquadrão botafoguense. E deu. Isso porque os jogadores da Gávea, muito embora se analisássemos o poderio de cada equipe víssemos que o favoritismo penderia para o lago alvinegro, são sempre capazes de fazer das tripas coração quando em campo.
De modo que, quando o jogo começou, o Flamengo foi à frente apresentando um futebol vistoso e de bom rendimento, muita gente ficou imaginando que o Botafogo sairia de campo derrotado.
Realmente os pupilos de Kanela andavam no gramado à vontade e a marcação que a defesa botafoguense exercia sobre os avantes da Gávea não era, em verdade, eficiente. A prova disto é que Zizinho e Jair Rosa Pinto jogavam completamente desmarcados, principalmente o meia-esquerda, que andava pelos costados do campo organizando perigosas jogadas para a meta alvinegra.
Ávila, Rubinho, Nilton Santos e o próprio Gerson dos Santos não conseguiam se entender e não marcavam ninguém. Enquanto isso, a linha do Flamengo ia desenvolvendo seu jogo, de passes cruzados e rasteitos, trazendo por várias vezes o pânico à meta de Oswaldo Baliza.
Desta maneira, a assistência esperava a queda do arco botafoguense a qualquer instante.
Aos quinze minutos, a linha do Flamengo desce pela esquerda. Zizinho conduz a bola, deslocado, até o costado do campo e centra alto. A defesa do Botafogo parou e Durval se aproveitou da indecisão para marcar o tento número um do Flamengo. Delírio dos rubro-negros que viam naquilo um prenúncio de nova e espetacular vitória.
Consignado o primeiro gol, o Flamengo continuou a exercer forte pressão sobre o arco contrário. Aos vinte e dois minutos, nova carga da ofensiva rubro-negra e a bola vai a cabeça de Zizinho, que levanta sobre a meta de Oswaldo Baliza. Novamente, a defesa para e Gringo consegue atingir pela segunda vez as redes do guardião botafoguense. Nova demonstrações de alegria da torcida rubro-negra, que, naquela altura, já tinha quase certeza da vitória... Mas o segundo tento do Flamengo serviu para acertar a defesa botafoguense. Então cada um dos seus componentes passou a uma marcação “homem a homem”, dificultando, desta forma, os movimentos da vanguarda rubro-negra. Chegou a vez do Botafogo pressionar o reduto flamenguista perigosamente. Também o arco de Luiz Borracha passou por várias situações de perigo, situação essas salvas, na maioria das vezes, pelo arqueiro, por Norival e Biguá, que favorecia o guardião do grêmio tricampeão. O tempo se esgotou e o placar não sofreu alterações.
Muita gente pensou que no segundo tempo as coisas iam tornar a favorecer o Flamengo. É que geralmente o rubro-negro costuma jogar mais no segundo tempo e o Botafogo ao que tudo indicava, iria pregar na etapa final devido aos esforços despendidos na primeira fase. Aconteceu justamente o contrário. Quem pregou foi o Flamengo. E isso ficou positivamente demonstrado quando, dada a saída, viu-se o esquadrão rubro-negro recuar, jogar apenas na defesa, sem esboçar aqueles ataques perigosos dos quarenta e cinco minutos iniciais.
Do outro lado, o Botafogo jogava como que revigorado, como se seu time tivesse entrado em campo naquele instante. Conseqüentemente, com o prego de Jair Rosa Pinto, que era o elemento de ligação, a linha flamenguista parou. Retrocedeu para tentar o impossível: deter a avalanche alvinegra que cada vez se mostrava mais forte. O arco de Luiz Borracha passou inúmeras vezes por situação de pânico mas nestes momentos críticos sempre aparecia, providencialmente, um defensor flamenguista, para evitar a queda de sua cidadela.
No entanto, todos sentiam que a coisa estava mudando e que muito em breve o Botafogo conseguiria. E realmente tal aconteceu. Numa descida da linha botafoguense, a bola foi centrada rasteira por Braguinha. Ávila, que vinha lá de trás, correndo, emendou também rasteiro para burlar a vigilância de Luiz Borracha. Os botafoguenses viram, então, que a vitória não seria impossível, como chegaram a pensar, talvez quando o Flamengo mandava no jogo e ganhava por 2 x 0.
Nesta altura, o Flamengo já andava desorientado, dando chance ao Botafogo para incursionar pelo seu terreno por diversas vezes. Mas assim mesmo a tarefa do alvinegro era difícil, porque Biguá aparecia jogando muito bem, e Norival e Luiz Borracha também.
Aos vinte e dois minutos houve um lance sensacional, inédito quase. Houve um ataque do Flamengo – um dos raros do segundo tempo – e a bola saiu pela linha de fundo. Oswaldo Baliza cobrou o tiro de meta com um chute à meia altura. Gringo, na linha média botafoguense emendou a pelota, muito alta. Oswaldo Baliza, que voltava calmamente para o arco, na crença de que a bola estivesse no meio de campo, não viu a pelota que ia em direção ao seu arco. Quando viu, alertado pelos seus companheiros e pela torcida que antevia o desastre, saiu correndo para deter a bola que já o cobrira. Conseguiu ainda tocá-la com as pontas dos dedos, mas não evitou que a mesma se aninhasse em suas redes. Era o terceiro gol do Flamengo, que fez com que a torcida delirasse na expectativa, novamente, de uma vitória.
Mas a alegria rubro-negra durou pouco. Dada a saída, o Botafogo foi à frente e pegou a defesa do Flamengo descolocada. Octávio, então, fez o serviço que lhe competia. Recebeu a bola da direita e chutou para as redes de Luiz Borracha. Era o segundo tento do Botafogo, tento esse que liquidaria de vez o Flamengo.
Novamente foi posta a bola no centro e dada nova saída. O Botafogo foi à frente cheio de autoridade. E o Flamengo, tonto, andava sem se acertar, pelo campo. Cada vez mais se acentuava o predomínio alvinegro, e a cada momento os jogadores do Flamengo mais se entregavam.
Aos 30 minutos e meio, o Botafogo desceu pela esquerda e bola foi a Braguinha. O extrema livrou-se bem de Biguá e chutou para marcar o tento que seria o do empate e que abalaria profundamente o moral já abatido do quadro de Kanela.
O tempo passou com o Botafogo já agora procurando o tento que lhe possibilitaria pular na frente do marcador, em busca de uma vitória que seria sensacional. E três minutos e meio depois, conseguia o seu intento quando Pirilo, aproveitando-se de uma confusão na área do Flamengo, aninhou a pelota nas redes do arqueiro Luiz Borracha. Delírio na social alvinegra que via uma derrota transformar-se numa virada extraordinária pela sua expressão.
Em campo o Flamengo já estava batido. Mas estava escrito que a vitória do Botafogo seria por um placar mais dilatado. Aos quarenta e quatro minutos, o extrema Paraguaio, numa rápida investida, passou por Jayme e Norival para chutar frente a frente com Luiz Borracha e marcar o quinto e último tento do Botafogo, que selaria um resultado justo, uma vez que o esquadrão alvinegro soube reagir no tempo devido e se aproveitar habilmente das falhas do adversário.
Ao Flamengo coube a glória de ter oferecido a um dos líderes uma resistência inesperada que deu maior colorido e significação ao resultado alcançado pelo seu adversário. Passou desta forma o Botafogo por mais um perigoso concorrente nesta corrida sensacional pelo título de campeão da cidade do ano em curso.
Os quadros formaram assim:
BOTAFOGO: Oswaldo Baliza, Gerson dos Santos e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octávio e Braguinha. Técnico: Zezé Moreira.
FLAMENGO: Luiz Borracha, Nilton e Norival; Biguá, Bria e Jayme; Luizinho, Zizinho, Gringo, Jair Rosa Pinto e Durval. Técnico: Kanela.
Mr. Dewine foi um árbitro correto, muito embora amarrasse o jogo marcando todas as faltas, mesmo quando o atingido levava vantagem.
A renda foi de Cr$ 207.964,00”.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

PERSONALIDADES ALVINEGRAS: ALCEU MENDES DE OLIVEIRA CASTRO


O primeiro e maior historiador do Botafogo, Alceu Mendes de Oliveira Castro, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), mais precisamente na rua São Clemente, no bairro de Botafogo, em 13 de agosto de 1906.
Aos nove anos de idade abandonou a coleção de selos e interessou-se pelo futebol, passando a colecionar recortes de jornais e revistas referentes ao Botafogo, que, apesar da idade, passou a selecionar cuidadosamente.
Nasceu daí o formidável arquivo que manteve durante anos, enriquecido por suas notas pessoais, tomadas em todos os jogos que assistia. Aos poucos, seu arquivo foi crescendo e se aprimorando: cadernos, com as descrições de todos os jogos e fotos referentes ao Botafogo, álbuns de fotografias, coleção completa e encadernada da revista “Vida Sportiva” (1917-1922), além de suas anotações pessoais, completando organizações de quadros e marcadores de gols.
Em 1922 Alceu passou a sócio-contribuinte e em 1929 a membro do Conselho Deliberativo e a diretor do clube, sendo chamado a exercer o cargo de 1º Secretário, cargo que ocupou até 31 de dezembro de 1930.
Pouco antes, em 8 de setembro de 1930, casou-se com Zaidie Frias.
Em janeiro de 1933, no mesmo cargo de 1º Secretário, voltou a trabalhar com Paulo Azeredo, o “Presidente de Ouro” e conheceu dias terríveis da cisão esportiva, provocada pela implantação do profissionalismo.
Nos intervalos da luta, fez uma descoberta preciosa: seu amigo Horácio Machado arrecadara na sede velha, situada sob as arquibancadas, uns baús semi-inutilizados por uma inundação. Neles encontrou o que tanto procurava: dados referentes à vida do clube de 1904 a 1915.
Foi uma lástima o dano provocado pela enchente, pois Alceu verificou que era bem organizado o antigo arquivo do clube, com registros de jogos em pequenos livros apropriados, com organizações de quadros e artilheiros. Copiou o que se salvou e melhorou consideravelmente o seu arquivo, que, ainda assim, no referido período, ficou cheio de omissões.
Em agosto de 1935, cansado e também sucumbido com o advento do profissionalismo, pois que era um amadorista absolutamente sincero, deixou espontaneamente a diretoria do clube, renunciado em plena sessão.
Firmemente disposto a abandonar o esporte, Alceu passou a frequentar menos o clube e recusou vários convites para voltar à administração. Por força do velho hábito da infância, entretanto, manteve sempre em dia o seu arquivo botafoguense, embora empobrecido no que concerne aos jogos das divisões inferiores, tão pouco noticiados na imprensa.
No começo de 1945, quando menos esperava, recebeu um convite que não pôde recusar: Alfredo d’Escragnolle Taunay, então Diretor de Propaganda do clube e que, como tal dirigia o Boletim, sabendo da existência de seu arquivo, pediu-lhe para escrever crônicas na revista mensal botafoguense sobre o passado do Botafogo.
Com súbito entusiasmo, pôs mãos à obra.
Seus artigos agradaram a muitos dos veteranos, que reviveram suas façanhas de outrora e que descreveu com a maior fidelidade. Foi um grande estímulo a escrever a vida do Botafogo. Revendo seu arquivo, faltava muita coisa ainda do período entre 1904 e 1915.
A partir de maio de 1945, passou a frequentar a Biblioteca Nacional, folheando, em suas horas de folga, as coleções dos jornais “Correio da Manhã”, “Jornal do Commercio”, “O Paiz” e “O Imparcial”, dentre outros.
Com enorme satisfação colheu dados completos sobre os campeonatos cariocas de 1910 e 1911, mas, quantos aos outros anos, encontrou muitas falhas: a imprensa da época limitava-se a dar o resultado de um jogo quando este se realizava em um mesmo dia de uma grande partida.
Em abril de 1947, surgiu a indicação inestimável de que os arquivos da Liga Metropolitana de Sports Athleticos achava-se depositado na CBD – Confederação Brasileira de Desportos.
Não hesitou um minuto e pediu socorro ao seu amigo Rivadávia Corrêa Meyer, Presidente da CBD e botafoguense como ele, para que autorizasse a consulta ao precioso arquivo, no que foi prontamente atendido.
Compareceu por três dias à sede da CBD e, em seis horas, copiou todas as súmulas da velha Metropolitana. Aumentou extraordinariamente o seu material, confrontando os dados novos com os que já possuía e ficou apto a escrever a grande obra sobre o Botafogo.
Em janeiro de 1948, convidado por seu amigo de todos os tempos Carlos Martins da Rocha, assumiu o cargo de diretor do Departamento de Comunicações e, com o velho entusiasmo, dedicou-se de corpo e alma ao Botafogo.
Na Secretaria reexaminou todo o arquivo do clube, extraindo notas preciosas de seus livros de atas de sessões de diretorias, assembleia geral e conselho deliberativo, relendo os antigos copiadores de ofícios e todos os relatórios, ficando, assim, senhor de impressionante material.
Num domingo em sua casa, 24 de abril de 1949, para ocupar o tempo, começou a redigir o primeiro capítulo da maior obra
até hoje editada sobre o clube (O Futebol no Botafogo 1904-1950)
e o entusiasmo apossou-se dele.
E, em seis meses, auxiliado pela boa memória que o conduzia diretamente às fontes, com relativa facilidade, frutificou o trabalho de trinta e quatro anos.
Foram perto de 1.400 páginas manuscritas em papel almaço, que três grandes amigos tiveram a espontaneidade e a paciência de datilografar em suas horas de folga: Horácio Machado, o veterano e exemplar chefe da Secretaria do Botafogo, sua dedicada e prestimosa auxiliar Maria Magdalena Pinto Rollo e a abnegada desportista Romacild Maria Roma, diretora do Departamento Feminino do clube.
No intervalo, decidiu diminuir as omissões relativas aos marcadores de gols e voltou à Biblioteca Nacional, sendo quase totalmente feliz, pois que examinou as coleções de “Gazeta de Notícias”, de 1906 a 1915, o melhor jornal desse período para descrição de jogos. Colheu dados impressionantes, que somente sua paciência fez pesquisar e que tudo indicava fossem inexistentes, como, por exemplo, os autores dos célebres 24 gols contra o Mangueira, em 1909, e referências apreciáveis ao caótico e quase esquecido campeonato de 1912, da Associação de Football do Rio de Janeiro, disputado pelo clube quando se achava separado da Metropolitana.
Alceu sempre deixou claro que redigiu “O FUTEBOL NO BOTAFOGO” na qualidade que mais prezava: na de simples torcedor do Botafogo e não na que ocupava na época, de seu diretor, nem na qualidade de sócio benemérito – título que lhe foi outorgado pelo Conselho Deliberativo, por proposta do Presidente Carlito Rocha, em sessão de 21 de novembro de 1949.
Era Diretor do Departamento de Comunicação do Botafogo quando faleceu, em 5 de outubro de 1962, no Rio de Janeiro.
O féretro saiu da sede do Botafogo de Futebol e Regatas, à avenida Wenceslau Braz, nº 72, para o cemitério de São João Batista.
No dia 7 de outubro de 1962, em General Severiano, o Botafogo venceu o Bonsucesso por 4 x 1. Os jogadores do Botafogo atuaram de luto, com braçadeiras negras pela morte de Alceu.
A Associação dos Cronistas Desportivas do Rio de Janeiro – ACD instituiu a Taça “Alceu Mendes de Oliveira Castro” para ser entregue a um dos finalistas do Torneio Início do Campeonato Carioca disputado em 23 de outubro de 1963. O Botafogo sagrou-se tricampeão do Torneio Início.
Alceu Mendes de Oliveira Castro também era advogado e em 1961 escreveu um outro livro: “Seleções Brasileiras Através dos Tempos de 1914 a 1960”, em parceria com José Carneiro Felipe Filho.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

AS DECISÕES: CAMPEONATO CARIOCA DE 1932



Apesar do calor senegalês da tarde de 2 de outubro de 1932, o pequeno campo na Estrada do Norte, na estação de Bonsucesso, conseguiu apanhar uma casa cheia, quase repleta.
É que ali se feriria um dos mais importantes embates dessa temporada de futebol, dadas as circunstâncias especiais que envolviam o jogo.
Vencendo a partida, o Botafogo conquistaria o campeonato. Empatando ou perdendo, resultaria um pequeno alento para as esperanças vagas do Flamengo, segundo colocado na tabela.
Grandes eram, portanto, as responsabilidades dos dois contendores. Um, por certo, empregaria os seus esforços para vencer a sagrar-se campeão. O outro haveria de empenhar-se a fundo, com entusiasmo e alta compreensão de seus deveres esportivos, para triunfar sobre o time que enfrentava.
Desse triunfo dependeria a sorte definitiva do campeonato. O numeroso público, ávido de sensações, teve bem recompensado o seu sacrifício, suportando a canícula impiedosa e comprimindo-se nas acomodações deficientes do pequeno campo.
E disso deu sobejas provas, porque todas as fases do encontro mereceram fartos aplausos e o incitamento dos adeptos dos dignos adversários.
O Botafogo levou a melhor. Venceu porque jogou com mais apuro do que o Bonsucesso.
No primeiro tempo, houve equilíbrio de forças. Os vencedores iniciaram a peleja levando evidente vantagem sobre o adversário. Todo o quadro alvinegro agia com entusiasmo e em perfeita técnica.
O primeiro gol da tarde foi conquistado por Nilo, aos cinco minutos de jogo, após uma entrada fulminante e com tiro bem colocado e indefensável.
Coube ainda a Nilo marcar o segundo tento da tarde, cobrando um pênalti cometido por Loló. Chutou forte e Pinheiro nada pôde fazer.
Nos quinze minutos finais do primeiro tempo, porém, os locais reagiram vigorosamente, apesar da diferença de dois gols a favor dos visitantes, que acusava o placar e passaram a fazer perigosas cargas sobre o gol de Victor.
O Bonsucesso fez o seu primeiro gol, de pênalti cometido por Martim.
Decorrem quinze minutos e Leônidas da Silva, aproveitando-se com inteligência e decisão de uma confusão na área do Botafogo, entra e faz aninhar a bola nas redes do alvinegro.
Instantes depois, servindo-se de um escanteio bem batido por Carlinhos e devolvido por Canalli, Loló finaliza com com tiro alto e bem colocado, entrando a bola no ângulo direito superior do gol de Victor.
O Bonsucesso conservou até o fim do primeiro tempo a vantagem de 3 x 2.
Veio o segundo tempo. Os alvinegros dão mostras, desde a saída, do desejo firme de empatar para depois vencer.
A um minuto de jogo, depois de um ataque rapidíssimo e levado ao campo contrário em combinação primorosa, Nilo obriga a Pinheiro, goleiro adversário, a praticar magnífica defesa.
Passam-se mais três minutos e o gol de empate é obtido: Nilo escorando oportuno passe de Ariel.
Mais sete minutos e o Botafogo desempata em seu favor. O gol foi conquistado por Paulinho. Depois de um belo ataque alvinegro, o meia-direita do Botafogo escora belo centro de Celso e chuta de modo indefensável, com todo o êxito.
Até esse momento, notou-se evidente supremacia dos visitantes. O Bonsucesso, porém, duro na queda, volta a reagir. Registram-se bons ataques dos locais, até que ao fazer uma defesa precipitada, Rodrigues mete a mão na bola dentro da área, visivelmente sem intenção, mas a falta foi punida pelo árbitro. Leônidas da Silva bate a penalidade e o jogo fica de novo empatado.
O dia, porém, era dos pênaltis. Estava escrito que o Botafogo deveria vencer. Os ataques incisivos que os atacantes alvinegros levaram a efeito com o fim de desempatar novamente a partida foram, afinal, novamente coroados de êxito.
Forma-se uma confusão na porta do gol do Bonsucesso. Marcelo, do Bonsucesso, acossado por Almir e Álvaro, mete a mão na bola. O árbitro pune a falta máxima, que Nilo transforma no gol da vitória.
Como se vê, houve dois pênaltis de lado a lado.
Inegavelmente esse segundo tempo foi francamente favorável ao Botafogo, que jogou melhor e com mais ardor do que o Bonsucesso.
Os times tiveram a seguinte constituição: BOTAFOGO – Victor, Benedicto e Rodrigues; Ariel, Martim e Canalli; Álvaro, Paulinho (Almir), Carvalho Leite (Paulinho), Nilo e Celso. Técnico: Nicolas J. Ladanyi. BONSUCESSO – Pinheiro, Fernandes (Congo) e Barcelos; Loló, Oto (Eurico) e Marcelo; Carlinhos, Gradim, Prego, Leônidas da Silva e Miro. Técnico: Gentil Cardoso.
Nota: não foi com facilidade que o jogo teve um árbitro. O senhor Luiz Neves, que fora caçado nas arquibancadas, recusou-se a arbitrar a partida, apesar dos pedidos insistentes que foram feitos. Por fim, na falta de árbitro competente, o Bonsucesso apelou para o íntegro e acatado árbitro, Carlos Martins da “Carlito” Rocha, do Botafogo, que procurou resistir a todo tipo de apelo. Depois de meia hora de muita insistência, quando se previa a hipótese de não ser efetuado o jogo por falta de árbitro, Carlito Rocha se viu obrigado a pisar o gramado para apitar, o que fez visivelmente contrariado.
A atuação de Carlito Rocha foi a mais imparcial possível.
Comemorando o levantamento do campeonato, os diretores, associados e jogadores do Botafogo reuniram-se, à noite, na aristocrática sede de seu clube, onde se realizou um animado e elegante jantar dançante, que foi muito concorrido.

Fonte: Correio da Manhã.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A PRIMEIRA VEZ A GENTE NÃO ESQUECE: O PRIMEIRO JOGO CONTRA O FLAMENGO


Além de ser o primeiro jogo contra o Flamengo, a partida também marcou a volta do Botafogo à Liga Metropolitana de Sports Athleticos e a inauguração do estádio de General Severiano.
O jogo, realizado no dia 13 de maio de 1013, foi válido pelo Campeonato Carioca daquele ano.
Assim falou “O Imparcial”:
Realizou-se no elegante campo do Botafogo, o melhor jogo de futebol que até hoje assistimos.
E tinha razão de o ser, porque as duas equipes que se apresentaram em campo houveram-se com impecável correção, tanto mais quanto só se verificaram no decorrer do jogo duas faltas.
À sede do clube, que se acha instalada em magnífico terreno e ponto superior do bairro de Botafogo, afluíram umas três mil pessoas, tendo estado suas vastas arquibancadas literalmente repletas do que mais “chic” existe na nossa sociedade.
O comandante Palmeiras, distinto “gentleman”, é digno presidente do Botafogo Football Club e proporcionou, com agradável cortesia, ao nosso representante todos os meios de que necessitasse para o seu noticiário.
O encontro dos primeiros times revestiu-se de verdadeiro delírio por parte dos que apreciam o “sport” britânico.
Os jogadores foram recebidos com estrepitosa salva de palmas.
A fim de dar o pontapé inicial, foi o representante do Club Naval de Lisboa, comodoro Charles Bleck, convidado pelos capitães das duas equipes, cerimônia essa que teve os aplausos da assistência.
Iniciado o jogo por parte do time preto e banco, a equipe do Flamengo faz rigorosa carga ao gol do Botafogo e assim Borgerth com violento chute procura, sem resultado, atingir o gol defendido por Álvaro.
A magnífica linha esquerda do Botafogo, de posse da bola, faz rigorosa carga ao gol do Flamengo e assim Cazuza defende-se, embora obrigado a ceder um corner. Villaça cobra o escanteio e acontece um intenso bate-rebate, quando Mimi Sodré, divisando uma pequena passagem, envia a esfera que se aninha na rede do Flamengo. Assim, foi feito o primeiro e único gol do Botafogo.
Em seguida, o árbitro dá por encerrado o primeiro tempo.
Após o descanso de praxe, o árbitro Mário Pernambuco chama novamente para o gramado os dois times.
Essa segunda fase do jogo foi executada debaixo de forte aguaceiro.
O Flamengo pressionou bastante mas não conseguiu marcar nenhum gol no segundo tempo, terminando assim o jogo com o placar de 1 x 0 a favor do Botafogo.

O “Correio da Manhã” disse:
Com uma assistência superior a 3.000 pessoas, realizou-se no campo do Botafogo F. C. o encontro entre este clube e o C. R. do Flamengo.
Desde muito cedo o novo campo da rua General Severiano principiou a encher-se de gente e às 3 horas da tarde o seu aspecto era encantador.
Desde 1910 não tínhamos assistido a um encontro tão sensacional e tão concorrido. As arquibancadas estavam repletas de famílias e cavalheiros de nossa melhor sociedade, que, ansiosos, aguardavam com impaciência o início da luta dos primeiros times.
Eram 4 horas da tarde quando Mário Pernambuco, do Fluminense F. C., faz soar o apito, chamando os jogadores às suas posições.
Uma uníssona salva de palmas se fez ouvir e os capitães tiram a sorte, cabendo a saída ao Botafogo, que convidou para dar o pontapé inicial o comodoro Charles Bleck, presidente do Club Naval de Lisboa.
Depois de muitos lances de ambas as partes, acontece o gol do Botafogo.
Nery, ao defender um centro de Lauro, ocasiona um corner. Este é bem cobrado por Lauro. Facchine escora com a cabeça, Cazuza defende. Abelardo torna a chutar e é ainda defendida. Mimi Sodré, que se achava a pouca distância, não demora em enviar a bola à rede do Flamengo.
Termina o primeiro tempo com a superioridade do Botafogo no placar: 1 x 0.
Durante o intervalo, o presidente do Botafogo fez servir uma taça de champagne ao senhor Charles Bleck.
Após regular descanso, voltaram para o campo os dois times.
Recomeçada a luta, esta é titânica, e ao ataque dobram-se de ambas as partes.
Os dois contendores desenvolvem um jogo belíssimo.
Nos últimos momentos de jogo a equipe do Flamengo ataca muito o gol do Botafogo, esbarrando na ótima defesa deste.
O jogo termina com a vitória de 1 x 0 do Botafogo.
O árbitro foi muito bem, concorrendo bastante para o brilhantismo do jogo.
Abrilhantou o jogo com sua presença a harmoniosíssima banda musical do 10º Batalhão da Guarda Nacional, que foi alvo dos maiores elogios por parte dos espectadores.
Após o jogo foi servido ao time do Flamengo uma taça de champagne.

As equipes formaram assim:
BOTAFOGO: Álvaro, Dutra e Pullen; Pino, Rolando e Couto; Villaça, Abelardo, Facchine, Mimi Sodré e Lauro Sodré.
FLAMENGO: Cazuza, Píndaro e Nery; Gallo, Amarante e Lawrence; Baiano, Borgerth, Figueira, Del Nero e Raul.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

DUAS GRANDES GOLEADAS NO MESMO ADVERSÁRIO, NO MESMO CAMPEONATO

Em condições normais, uma supergoleada não é um placar que acontece sempre. Quando acontece uma goleada num primeiro turno, normalmente esse adversário toma suas precauções para que o desastre não volte a ocorrer no segundo.
Mas não foi o que se viu no Campeonato Carioca de 1936, competição disputada em dois turnos: o Botafogo aplicou duas grandes goleadas no Olaria.
A primeira aconteceu no jogo que foi adiado devido ao mau tempo. Foi realizada no feriado de 7 de setembro de 1936, no campo da rua General Severiano. Facilmente, o Botafogo se impôs pelo placar de 7 x 0. Loris Cordovil, o árbitro, marcou três pênaltis, sendo dois contra o Olaria e um contra o Botafogo.
O primeiro tempo terminou com a contagem de 4 x 0, com os gols marcados nesta ordem: 1º Carvalho Leite, 2º Enéas, contra; 3º Carvalho Leite e 4º Russinho.
No segundo tempo, Russinho (5º), Armando (6º) e Russinho (7º) definiram o marcador.
As equipes formaram assim:
BOTAFOGO: Aymoré Moreira, Brum e Octacílio; Affonso, Martim e Canalli; Álvaro, Armando, Carvalho Leite, Russinho e Patesko.
OLARIA: Ubiratan, Caraúna (Salim) e Joaquim; Aristotelino, Enéas e Nonô; Ary, Gago, Euclydes (Fraga), Horácio e Pierre.

Cumprindo o último compromisso do returno, no dia 29 de novembro de 1936 o Botafogo desenvolveu outra atuação de destaque contra o Olaria.
O jogo foi realizado no campo do Olaria, à rua Cândido Silva.
Quem assistiu aos primeiros quinze minutos do período decisivo, viu o Olaria agir com grande desenvoltura, com ânimo forte e muita disposição, chegaram a impressionar mesmo tendo pela frente um Botafogo em bom dia.
Aos 8 minutos de jogo o Botafogo inaugurou o marcador, depois que Álvaro cruzou uma bola para Carvalho Leite, este fintou e deixou a bola para Russinho, que marcou o primeiro gol do Botafogo.
Cinco minutos depois, Carvalho Leite marcou o segundo gol do alvinegro.
Dada nova saída, o Botafogo recupera a bola. Álvaro corre pela extrema e passa a Russinho, que marca o terceiro gol da tarde.
Pouco tempo depois, Patesko assinala o quarto gol do Botafogo.
Faltando poucos minutos para o término do primeiro tempo, Russinho recebe a bola e passa para Patesko que escapa, deslocando-se para o centro, para marcar o quinto gol do Botafogo. O primeiro tempo termina com o placar de 5 x 0 a favor do Botafogo.
Com cinco minutos de jogo no segundo tempo, ao ser cobrado um escanteio contra o Botafogo, Gago marca, de cabeça, o primeiro gol do Olaria. Os locais se animam com o feito e desenvolvem uma atuação impressionante pela rapidez, atacando com ânimo.
Aos dez minutos de jogo, o árbitro assinala pênalti de Octacílio em Cebinho. Gato cobra a penalidade, conseguindo marcar o segundo e último gol do Olaria.
Pouco tempo depois, o Botafogo consigna o sexto gol, por intermédio de Carvalho Leite, ao ser cobrada uma falta por Patesko. E os visitantes voltam a dominar, diminuindo o entusiasmo dos suburbanos.
Álvaro corre com a bola, passa a Carvalho Leite, que marca o sétimo gol do Botafogo.
Logo em seguida, Patesko encerra a contagem, assinalando o oitavo gol do Botafogo. Placar final: Botafogo 8 x 2 Olaria.
Sob as ordens de Loris Cordovil, que agiu a contento, os quadros atuaram assim constituídos:
BOTAFOGO: Aymoré Moreira, Octacílio e Nariz; Luciano, Zezé Moreira e Canalli; Álvaro, Martim, Carvalho Leite, Russinho e Patesko.
OLARIA: Adolpho Madeira, Enéas e Alberto (Herculano); Lamas, Nunes (Joaquim) e Aristotelino; Ary, Gato, Pierre (Gago), Cebinho e Motta.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A PRIMEIRA VEZ A GENTE NÃO ESQUECE: O PRIMEIRO JOGO DO BOTAFOGO FOOTBALL CLUB


O Botafogo Football Club foi fundado em 12 de agosto de 1904, por um grupo de rapazes de 14 anos, em média, com o nome de Electro Club. A 18 de setembro de 1904 realizou-se uma assembléia, na qual foi aprovado o nome Botafogo Football Club.
Às 15 horas de um domingo, dia 2 de outubro de 1904, o Botafogo disputou o seu primeiro jogo regular, enfrentando o Football and Athletic Club, no campo deste, à rua Haddock Lobo, esquina de Campos Sales, onde existia o Velo Club.
O Botafogo, vencido por 3 x 0, vestia camisas de malha branca e calções brancos e o Athletic, camisas de pano vermelho, tendo sido este o conjunto do Botafogo: Flávio Ramos, Victor Faria e João Leal; Basílio Vianna, Octavio Werneck e Adhemaro de Lamare; Norman Hime, Itamar Tavares, Álvaro Soares, Ricardo Rêgo e Carlos Bittencourt.
Desse jogo, o fato pitoresco foram as meias cor de abóbora de Flávio Ramos e a atitude do Barão de Werneck, pai de Octavio e Álvaro, assistindo o jogo de guarda-sol aberto.
O árbitro do jogo foi Mário Bessa, do Fluminense F. C.
O Football and Athletic Club formou com Nascimento, Luiz Maia e Hildebrando Paranhos; Leite, Oscar Fagundes e Alvarenga I; Pereira, Aurélio Silva, Kock, Alvarenga II e Barbosa.

Fontes: O Futebol no Botafogo 1904-1950 e pesquisador Pedro Varanda.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

JOGOS INESQUECÍVEIS: A ESTRÉIA DE GARRINCHA



Segundo o jornal A Noite “não foi um grande espetáculo o que ofereceram os quadros do Botafogo e do Bonsucesso na peleja travada na tarde de 19 de julho de 1953, no estádio General Severiano”.
No entanto, valeu o prélio pela movimentação, pela combatividade que sempre caracterizou as jogadas e sobretudo pelas peripécias desconcertantes que culminaram com a goleada de 6 x 3 imposta ao modesto mas lutador quadro leopoldinense.
A partida, até os primeiros quinze minutos do segundo período, esteve indefinida. Basta dizer que, até então, vencia o Bonsucesso por 2 x 1 e, apesar da pressão fortíssima que fazia o alvinegro, resistiam os leopoldinenses.
Depois do empate foi que o Botafogo acertou o caminho da vitória. E do empate à goleada final de 6 x 3 foi apenas um salto. Foi liquidado o Bonsucesso sem maiores delongas: consequência lógica que os rubro-anis teimavam em não querer acreditar. Foi em peso o Botafogo para a frente e aí se verificou a seqüência de tentos que obrigaram ao arqueiro Ari buscar a bola nas redes.
O Botafogo, apesar da goleada imposta ao time orientado por Pirilo, seu ex-defensor, não chegou a corresponder inteiramente. Tanto houve cochilos na defesa como se verificou, até o início da arrancada para a goleada, deficiência na coordenação da ofensiva. Valeu, entretanto, como nota favorável o espírito de luta que, afinal, pôde proporcionar o resultado tão expressivo. Nilton Santos e Arati, na defesa, Garrincha, Geninho e Vinícius, no ataque, os mais eficientes do grupo vencedor.
Aos quatro minutos de jogo, verificou-se uma falta de Bob em Soca. Simões cobrou colocadamente e depois de tocar a bola em Nilton Santos foi às redes. Era o primeiro gol do Bonsucesso.
Aos 9 minutos, Garrincha cobrou um escanteio para o Botafogo e Vinícius, de cabeça, mandou sensacionalmente a bola para dentro da meta leopoldinense, empatando a peleja.
Dois minutos depois, Ariosto marcou um tento que o árbitro anulou por impedimento.
Aos 30 minutos, Gerson dos Santos concedeu corner. Benedito cobrou e Lino, recebendo, atirou para marcar o segundo tento do Bonsucesso.
Logo depois, é assinalado outro gol do Botafogo, de autoria de Garrincha, também anulado por impedimento.
Com a vantagem de 2 x 1 favorável ao Bonsucesso, encerrou-se o primeiro período.
Aos 14 minutos do segundo tempo o jogador do Bonsucesso, Urubatão, cometeu pênalti em Vinícius. Garrincha cobrou e marcou o segundo tento do Botafogo.
Aos 29 minutos, o Botafogo atacou. Ariosto recebeu de Nilton Santos e cedeu a Dino da Costa, que colocou a bola nas redes do Bonsucesso pela terceira vez.
Aos 30, Garrincha cobrou uma falta do limite da área e venceu o arqueiro Ari, assinalando o quarto tento do Botafogo.
Aos 32, Garrincha escapa pela direita, cede a Ariosto e este passa a Dino da Costa que venceu novamente a meta do Bonsucesso. Era o quinto tento do Botafogo.
Aos 36, Benedito, com um tiro longo, marcou o terceiro gol do Bonsucesso.
Aos 47 minutos, Garrincha recebeu de Geninho, invadiu a área e marcou o sexto e último gol do Botafogo.
Estava decretada a vitória do alvinegro através de uma goleada, depois de terem passado por um susto tremendo os torcedores do campeão de 1948.

GARRINCHA, A SENSAÇÃO DA PARTIDA E O ARTILHEIRO

Uma das notas de relevo desse prélio que mexeu com os nervos dos torcedores foi a estréia do jovem e já tão falado ponteiro direito Garrincha. A começar pelo seu andar desajeitado e torto, o novo dianteiro alvinegro tornou-se figura central. E conseguiu maior projeção ainda por ter sido o artilheiro da tarde, com três tentos, sendo um de cobrança de pênalti, muito bem executada.
Garrincha não é um craque, ainda. Tem muito que aprender e se aperfeiçoar. Mas é indiscutível que possui qualidades para vencer em nosso futebol. A sua amostra, ontem, foi excelente. É lutador, impetuoso e tem visão de gol. Foi, enfim, um feliz lançamento feito pelo Botafogo.

O “Correio da Manhã” destacou:
“Botafogo, depois de experimentar sensações pouco agradáveis, acabou derrotando o Bonsucesso com categoria por 6 x 3, fazendo estrear o ponteiro Gualicho de maneira convincente”.

A “Gazeta de Notícias” afirma: “Flamengo, Botafogo e Bangu venceram com categoria”. Quando relaciona os gols do Botafogo também informa Gualicho.

Já o “Diário de Notícias” preferiu dar outro tipo de destaque. Vejamos:
“O vento foi o maior adversário encontrado pelos conjuntos do Botafogo e do Bonsucesso, em General Severiano. Os locais, no primeiro tempo, lutaram infrutiferamente contra esse elemento da natureza, sendo mesmo traídos, baqueando nessa etapa por 2 x 1. No período final, explorando bem a situação que o prejudicara no primeiro tempo, o Botafogo foi de “vento em popa” e acabou por subjugar decididamente o Bonsucesso”.
Relaciona o jogador “Garricho” na ponta-direita do Botafogo e, na anotação dos gols, “Garrido”.

As equipes formaram assim:
BOTAFOGO: Gilson, Gerson dos Santos e Nilton Santos; Arati, Bob e Juvenal; Garrincha, Geninho, Dino da Costa, Ariosto e Vinícius. Técnico: Gentil Cardoso.
BONSUCESSO: Ari, Duarte e Mauro; Urubatão, Décio e Serafim; Lino, Wilson, Simões, Soca e Benedito. Técnico: Pirilo.

Sobre a atuação do árbitro, Erick Westman, o ponto comum foi que ele não atuou bem.
Disse “A Noite”: “Atuação sofrível. Falhou outra vez na repressão ao jogo violento, deixando-se envolver pelos jogadores. Também falhou em várias marcações técnicas.
A arrecadação foi de Cr$ 68.577,40.